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SUMMARY:Exposição “Os Lusíadas nos Açores: 450 anos”
DESCRIPTION:Exposição “Os Lusíadas nos Açores: 450 anos” na Biblioteca Pública e Arquivo Regional de Ponta Delgada \n  \nA Biblioteca Pública e Arquivo Regional de Ponta Delgada inaugura a 4 de outubro\, às 18h00\, a exposição Os Lusíadas nos Açores: 450 anos\, assinalando assim a publicação da 1ª edição de Os Lusíadas de Luís de Camões. \nA iniciativa conta com a coordenação científica da Prof.ª Doutora Maria do Céu Fraga\, que fará uma visita guiada à exposição no dia da inauguração. \nNas palavras da comissária desta exposição\, celebrar 450 anos sobre uma efeméride leva-nos a tomar consciência do seu valor e do significado. \nOs primeiros cadernos de Os Lusíadas saíram dos prelos de António Gonçalves em1572. Era um longo poema narrativo em que Luís de Camões propunha uma interpretação da história portuguesa e a glorificava\, dirigindo-se a D. Sebastião\, rei muito jovem. Num texto literariamente bem conseguido\, o tom épico dominava\, cantando a glória e a gesta portuguesa\, e conjugando-se harmoniosamente com o lirismo e a fantasia de muitas passagens. Com isso\, sobressai o tom reflexivo de variadas interrogações sobre o significado do mundo e do homem. \nNão são muitos os testemunhos quinhentistas da receção que Os Lusíadas obtiveram. Mas o certo é que a epopeia de Camões foi conhecida e apreciada já no século XVI nos Açores: Gaspar Frutuoso\, o cronista das ilhas\, integra várias referências a Camões nas Saudades da Terra e até compõe um soneto em seu louvor. \nNos nossos dias\, nos Açores\, o significado e valor da obra camoniana mantêm-se vivos. Ou seja\, Camões e Os Lusíadas não são “apenas” um autor e uma obra canónica que se estudam na escola. Estudam-se\, porque continuam a inquietar-nos\, a colocar-nos interrogações\, a dialogar connosco\, e porque neles encontramos um ponto de referência\, individual e coletivo. Agora\, como no século XIX\, em que as comemorações do Tricentenário\, como fica patente na exposição\, constituíram uma manifestação de simpatia e organização. \n  \nEm 2022\, em Ponta Delgada\, a celebração faz-se contando a vida e a fortuna de um livro e de um poeta que contam também a vida da população que com eles convive: a Biblioteca Pública e Arquivo Regional de Ponta Delgada organizou uma exposição a partir do seu excecional acervo camoniano\, em que tomam relevo particular a livraria de José do Canto e a coleção de Botelho de Andrade. \nEsta exposição leva-nos ao tempo de Camões e de Os Lusíadas\, e traz-nos Camões e Os Lusíadas ao nosso. Através da presença dos livros e de objetos de diferentes épocas\, procura-se recuperar o mundo espiritual e material em que o épico viveu\, lembrar algumas tentativas de explicação científica\, cultural e literária do mundo\, e compreender a sua transformação ao longo de 450 anos. \nA exposição estará patente até 22 de março de 2023.
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SUMMARY:Mostra Bibliográfica - Saramago e o poder de cada palavra
DESCRIPTION:                                                                            «As palavras são tudo quanto temos». \n                                                                                       José Saramago[1] \n  \nJosé Saramago (1922-2010) é  o «viajante» que escalou cada palavra\, até sentir que cada uma delas era capaz de fazer a verdadeira História\, dando voz à população anónima que  a fez\, ostracizada \, subjugada\,  obrigada a  carregar a insuportável e descomunal pedra de Sísifo\, física e megalómana em Memorial do Convento (1982)\, morrendo assim\, com o inferno do lume na pele\, nos ossos\, na claridade dos olhos\, nas páginas silenciadas da vida atirada às fogueiras da Inquisição \, obrigada a cumprir as prisões da PIDE \,obrigada a carregar dentro e fora do corpo a desmedida ordem de grandeza do poder político ( A Viagem do Elefante (2008) –  «porque entre o latifúndio monárquico e o latifúndio republicano não se viam diferenças e as parecenças eram todas»[2] ( Levantado do Chão\, 1980). A escrita de Saramago\, essa «bagagem» fabulosa e perene que nos deixou\, deambula entre o real e o fantástico\, a utopia e a distopia\, a esperança e o desencanto\, a vida e a morte\, a memória campestre da infância e a cidade\, onde viveu maioritariamente\, até escolher a serenidade e a paz de uma ilha\, Lanzarote \, para pensar e para escrever. \nComo um pássaro que voa a toda a amplitude do horizonte que traça –  e neste caso\, o horizonte era o mundo\, todo ele\, todos e cada um dos seus habitantes e a Terra-Mãe em agonia\, «Aqui o mar acaba e a terra principia». (O Ano da Morte de Ricardo Reis\,1984) -\, Saramago deixa uma mensagem clara à humanidade e  ao  seu país\, à terrível solidão humana: estamos cegos (Ensaio sobre a Cegueira\,1995) profundamente cegos \, porque nada  vemos  do que  realmente somos: aquele indivíduo «subalterno\, subordinado\, dependente\, criado às ordens»[3] (Todos os Nomes\, 1997) ou a reinvenção absoluta da metamorfose \, de Kafka. \nNão admira\, pois\, que o Prémio Nobel da Literatura lhe tivesse sido atribuído em 1998: os seus livros resgatam a verdadeira História e lançam um suave vento de esperança. Talvez por isso \, Saramago criou uma ilha de lugar nenhum (O Conto da Ilha Desconhecida\, 1997) e uma «barca mítica» para libertar a população anónima de um «Portugal embrechado\, suspenso»[4] (A Jangada de Pedra\, 1986). Talvez assim\, talvez apenas assim\, pudesse\, finalmente cumprir-se a mensagem de Pessoa\, ali\, « onde o mar se acabou e a terra espera»[5]. \nÂngela de Almeida/BPARPDL \n  \n  \n[1] SARAMAGO\, José (2002). O Homem Duplicado. Lisboa\, Caminho: 314. \n[2] SARAMAGO\, José (1980\, 1ªed.). Levantado do chão. Lisboa: Caminho (2000\, 15ª ed): 34. \n[3] SARAMAGO\, José (1997). Todos os Nomes. Lisboa: Caminho: 239. \n[4] SARAMAGO\, José (1986) A Jangada de Pedra. Lisboa: Caminho: 95. \n[5] SARAMAGO\, José (1984). O Ano da Morte de Ricardo Reis. Lisboa: Caminho: 407. \n\, \n 
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