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SUMMARY:Destaques de setembro
DESCRIPTION:A 13 de Setembro\, celebramos o centenário do nascimento de Natália Correia\, uma das vozes mais proeminentes da Literatura e da Cultura Portuguesa e Europeia da segunda metade do século XX\, nascida na freguesia de Fajã de Baixo\, onde viveu com a mãe e a irmã até aos 6 anos de idade.  A Biblioteca Pública e Arquivo de Ponta Delgada é a fiel depositária dos 10.163 livros que constituem a sua livraria\, onde estão incluídos 45 livros de Cardoso Mata e 46 exemplares de e sobre Camões: nestes\, incluem-se edições valiosíssimas de Os Lusíadas.  Da obra perene e multímoda que escreveu\, a partir de Lisboa\, onde viveu\, a partir de 1934\, destacamos\, este mês\, a obra poética completa\, que reuniu pouco antes dos últimos meses de vida\, introduzindo inéditos e incluindo uma introdução que é uma belíssima viagem através da sua poesia. O livro\, O sol nas noites e o luar nos dias: poesia completa (1993)\, foi então publicado em dois volumes pelo Círculo de Leitores e\, em simultâneo\, pela editora Projornal\, num único volume. Posteriormente\, a D. Quixote publicaria as edições seguintes. Aqui está reunido o ciclo poético da autora (1947-1992)\, sob um título que traduz\, na senda dos surrealistas\, a síntese agregadora dos contrários\, missão que tão bem entregou à poesia. A culminar\, os Sonetos românticos\, cuja primeira edição foi em 1990 e que lhe valeram o Grande Prémio de Poesia APE. \nAntes de partir\, Natália Correia deixou concluído um pequeno livro\, Memória da sombra (1993). Trata-se de um grito poético dirigido à falta de memória e ao torpor da humanidade. Conforme escrevera anteriormente\, «a morte da memória preocupa-me». A deriva neo-liberal\, assente num materialismo agonizante\, que ditava e dita a morte do planeta\, conforme continuamos a assistir\, leva-a a entregar esse grito à natureza-mãe\, na voz antiga e futura de um carvalho que acusa: «Mas eu sou a memória que perdeste».  Trata-se dum livro maravilhoso\, com fotografia de António Matos. \n  \nAA/BPARPDL \n  \nDisponíveis para empréstimo domiciliário \nCORREIA\, Natália – Poesia completa: o sol nas noites e o luar nos dias. [1ª ed]. Lisboa: Publicações Dom Quixote\, 1999. \nEMP AÇORES 82-1 CORR/poe \n  \nCORREIA\, Natália – O sol nas noites e o luar nos dias. [Lisboa]: Projornal\, 1993. \nEMP AÇORES 82-1 CORR/sol \n  \nCORREIA\, Natália – Sonetos românticos. Alfragide: Casa das Letras\, 2011. \nEMP AÇORES 82-31 COR/mad ex.5 \n  \nDisponíveis para consulta local \nCORREIA\, Natália – O sol nas noites e o luar nos dias. Lisboa: Circulo de Leitores\, D.L. 1993. \nAÇORES 8/1925 v.1 \nAÇORES 8/1925 v.2 \n  \nCORREIA\, Natália; MATOS\, António – Memória da sombra. Lisboa: Preto no Branco\, imp. 1993. \nDG/NC 1536 RES \n 
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SUMMARY:O ARQUIVO DE NATÁLIA CORREIA | Documento do mês | setembro 2023
DESCRIPTION:O arquivo de Natália Correia está depositado na Biblioteca Pública e Arquivo Regional de Ponta Delgada[1] e é constituído por inúmeros manuscritos e dactiloscritos\, notas de leitura\, notas de viagem\, textos biográficos\, apontamentos diversos\, recortes e exemplares de jornais\, correspondência\, fotografias\, cadernos e agendas\, onde a autora escrevia e tomava notas. \nPara além de ler\, a poeta estudava imenso: testemunho disso são os muitos apontamentos sobre os mais variados autores e temas\, com especial destaque para os assuntos que lhe eram caros\, como as origens de Portugal e as origens da Literatura Portuguesa\, o culto do Espírito Santo\, o panteísmo pentecostal e o politeísmo\, a ilha plurívoca\, o V Império\, o mito sebástico\, o Iberismo\, o amor\, o saudosismo\,o misticismo\, as religiões\, as civilizações\, a arte poética\, o teatro\, a Poesia Trovadoresca\, o Romantismo\, o Surrealismo\, a simbólica\, a estilística\, os direitos humanos e o estado do mundo\, a função do escritor\, o princípio feminino. Os ensaios inéditos são de superior importância\, uma vez que atestam o pensamento ecuménico\, eclético\, heterodoxo e pentecostal da escritora. Mas não só. Existem textos de ficção\, textos dramáticos\, um diário de extraordinária relevância\, poesia inédita\, como o poema que anexamos\, revelador da visão do absoluto.[2] \nO arquivo de Natália Correia permite uma descoberta a vários níveis: por um lado\, confirma\, conforme temos escrito\, um compromisso com a humanidade; por outro lado\, permite analisar os manuscritos autógrafos das obras publicadas e perceber as alterações motivadas pela revisão anterior à publicação ou\, até mesmo\, a dispensa de alguns textos que a autora acabou por não integrar nas versões finais. Mas não só. Este arquivo dá-nos conta do processo evolutivo da escrita e do pensamento: a título de exemplo\, ficamos a conhecer uma riquíssima produção ensaística na década de oitenta – ensaios que colocam Natália Correia a par de Agostinho da Silva –\, uma década já de alguma reclusão para a autora\, nascida no desencanto trazido pela deriva de Portugal e do mundo. \nNo domínio da correspondência\, para além das cartas trocadas com a mãe\, com a irmã\, com amigos e com admiradores\, entre outros\, é possível perceber o desassombro da autora durante a ditadura e datar a conclusão de algumas obras. \nNas décadas de cinquenta e de sessenta\, a P.I.D.E.\, que já anteriormente violava a correspondência \, vigiava a casa e fazia relatórios\, baseados na perseguição sistemática da escritora\, censurou e proibiu a circulação de oito livros. Eis o testemunho inédito de Natália\, depositado neste arquivo: \n  \n«Pedem-me que diga algo sobre as devastações que a censura fez na minha obra. Creio que ela foi particularmente animadora dos saques censórios. Porquê esta eleição? Porque não confinei os meus ataques ao circuito meramente político do fascismo. A evolução do meu espírito foi-me colocando cada vez mais no campo da recusa global. Neste alinhamento revolucionário empreendi desmistificações das quais\, a que mais cara me saiu foi afligir o puritanismo que serve de guardião a todas as ditaduras. Em dada altura pareceu-me eminentemente oportuno\, lançar no charco do despotismo salazarista\, a pedrada de um estudo dedicado ao erotismo e sátira fescenina\, ilustrado antologicamente. O resultado foi uma cómica condenação que do alto do Plenário pretendia avassalar-me mas que me proporcionou jocosa oportunidade de dar razão a Nietzsche quando ele compara os juízes com os camelos. Como vêem não tenho vocação para vítima. (…) Nesta indisposição\, das baionetas que sempre apontarei ao peito inchado dos poderes oito me foram confiscadas por mais insurrectas. Enumero-as: Dimensão Encontrada (poesia); Comunicação (poesia); Cântico do País Emerso (poesia); O Vinho e a lira (poesia); Antologia da Poesia Portuguesa Erótica e Satírica (estudo e antologia); O Homúnculo (teatro); O Encoberto (teatro); A Pécora (teatro).»[3] \n  \nA título de ilustração\, apresentamos uma visão geral do arquivo e o pormenor de alguns cadernos. \nImporta referir que\, no conjunto imenso de documentos – estão contabilizados mais de 25.000 –\, existem textos diversos\, que não foram escritos por Natália Correia. Por outro lado\, também existem pastas com documentos incompletos: neste caso\, importa considerar as pastas com documentação dispersa\, onde\, muitas vezes\, é possível completar os documentos. \n  \nDireitos de autor do texto – ÂA/BPARPDL \n[1] Descrição disponível em https://arquivos.azores.gov.pt/details?id=1223997. \n[2] Uma lampada precoce. Poema inédito\, não datado (BPARPD. Arquivo Natália Correia\, cx. 23\, capilha 2741\, doc. 84). \nIncluído no conjunto de documentos com descrição disponível em: https://arquivos.azores.gov.pt/details?id=1225148. \n[3] Pedem-me que diga algo…. Manuscrito autógrafo e dactiloscrito\, não datado (BPARPD. Arquivo Natália Correia\, cx. 44\, capilha 3935-3936). Descrição disponível em: https://arquivos.azores.gov.pt/details?id=1226070.
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