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Sugestões de leitura | novembro 2023

Concluindo o tema das nossas recomendações de leitura do mês passado, e mantendo a convicção que é nosso dever dar a conhecer livros que respondam à actualidade no mundo, viabilizando assim leituras que nos tornem cidadãos atentos e portadores de pensamento crítico, este mês, apresentamos dois livros de História completamente diferentes um do outro: de João Isidro e J. Mariano da Fonseca (1986), A Palestina na História, e de Werner Keller (1966), História do Povo Judeu: da destruição do templo ao novo Estado de Israel.

O primeiro apresenta uma extensa história do território e do povo palestiniano, até 1986, ano em que foi publicado o livro, concluindo assim com a proposta de paz, apresentada naquele ano a Washington através «de governos árabes amigos»[1], ou seja, dois anos antes da Declaração de Independência da Palestina, em 1988. Este livro dá-nos a conhecer minuciosamente toda a história da geografia física e humana do povo palestiniano, desde a terra de Canaã, onde habitavam os cananeus, desde 3000 anos a.C., além de outros povos. A terra dos Filisteus ou a Palestina – «Os Filisteus (…) deram o nome à Palestina» (ISIDRO, 1986:28) –  foi desde cedo invadida, e já no século XX, no rescaldo da Primeira Guerra Mundial, ficou sob o domínio britânico, durante 28 anos – até 1948. No decorrer desse domínio britânico deu-se a Grande Revolta Palestina, com início em 1936. Em 1937, os ingleses já trabalhavam na divisão da Palestina, co-habitada por árabes, judeus e sionistas, cedendo 33% do território para a fundação de um Estado judaico. As consequências, conforme nos relata o autor, foram deveras trágicas:

«Cinco mil mortos e 15 mil feridos (…), tal foi o saldo da acção militar ordenada pelo gabinete de Londres contra os que defendiam a sua terra, na Palestina.» (ISIDRO, 1986:88)

E, conforme sabemos, entre 1939 e 1941, o antissemitismo nazi, que presidiu ao nazismo, levaria à tortura e à condenação à morte de seis milhões de judeus. Com o fim da Segunda Guerra Mundial, terminou o domínio britânico sobre a Palestina, em 1947, sendo que nesse mesmo ano a ONU, constituída três anos antes, votou a partilha da Palestina, que passou a ficar dividida num Estado judaico, num Estado árabe e uma terceira área para Jerusalém e Belém – os lugares santos. Todavia, enquanto os sionistas subscreviam este plano, os árabes não aceitaram. Seguiu-se a violência e os bombardeamentos, nomeadamente o massacre de Deir Yassin, onde mais de uma centena de habitantes de uma aldeia, próxima de Jerusalém, morreram. A 12 de maio de 1948, foi proclamado o Estado de Israel. Dos massacres aos acordos, à criação dos movimentos de Libertação da Palestina, ao plano de Paz, apresentado por Reagan, este livro, que termina em 1986, é uma ferramenta importante para a informação que só pode ser feita com o conhecimento: ler a história deste povo é ler a história do Médio-Oriente e de como comportamentos fanáticos, de ambos os lados, impedem a divisão simples de um território, por  forma a que palestinianos e israelitas possam ser independentes, partilhando apenas os espaços sagrados.

Não menos importante é a leitura da História do Povo Judeu, de Werner Keller (1966)[2]. O livro, com ilustrações elucidativas, tem início com o domínio romano de Jerusalém, de 62 a 48 a.C., quando se deu a derrota de Pompeu, e termina precisamente com a independência de Israel, sendo o novo Estado proclamado a 14 de Maio de 1948, após a Assembleia das Nações Unidas ter decidido, em 29 de Novembro de 1947, «dividir a Palestina em dois Estados: um judaico e outro árabe» (KELLER: 505). Neste livro, ficamos a conhecer os muitos domínios sobre o povo judeu, ao longo da História. Para além do domínio romano, ficamos a conhecer todas as lutas dos judeus, desde a «Diáspora dos Judeus», no ano 70 d.C., passando pela proibição da construção de novas sinagogas, por Teodósio II (408-450), até às sinagogas e judeus queimados e assassinados, durante séculos, mesmo muito antes do temível e horrendo Tribunal da Inquisição, criado em 1233 pelo Papa Gregório XII, que mandou matar os que não se convertessem ao catolicismo. Até 1821, ano da sua extinção, todas as religiões fora do catolicismo, estavam absolutamente condenadas e a vida dos seus praticantes era um golpe de sorte nas mãos do Santo Ofício. Comunidades judaicas foram destruídas. O ódio contra os judeus, dirigido em 1875, por Adolfo Stoker, «predicador evangélico da corte» (KELLER,1966: 465), levou a que três anos mais tarde, cem mil judeus emigrassem abruptamente para os Estados Unidos da América. Já no século XX, com a subida de Hitler ao poder, em 1933, os judeus começariam por perder a sua cidadania na Alemanha, e tudo lhes seria retirado, até serem arrastados para os campos de concentração e de extermínio:

«No dia 1 de Setembro de 1939, Hitler ordenou a marcha sobre a Polónia. Estalou a Segunda Guerra Mundial, que traria ao mundo mais mortes, destruições e sofrimentos sem fim e que, para milhões de judeus, significava a destruição total: (…). Chegou-se a execuções em massa e a expulsões violentas das cidades. Organizaram-se ghettos. O maior dos quais se encontrava em Varsóvia (….). A história da Alemanha estará para sempre manchada com extermínio de milhões de judeus inocentes»[3] (KELLER, 1966: 495).

AA/BPARPDL

 

 

Disponível para empréstimo domiciliário

KELLER, WernerHistória do Povo Judeu, da destruição do Templo ao Novo Estado de Israel. Alfragide: Galeria Panorama, 1966.

EMP 94(100) KEL/his

 

Disponível para leitura presencial

ISIDRO, João; FONSECA, João Mariano daA Palestina na história. [Lisboa]: Portugal Presscope, 1986.

NC 7614 RES

[1] ISIDRO, João; FONSECA, J. Mariano da –  A Palestina na História.  Lisboa: Portugal. Presscope, 1986), p. 217.

[2] KELLER, Werner – História do Povo Judeu, da destruição do Templo ao Novo Estado de Israel. Alfragide: Galeria Panorama, 1966.

[3] Id., p.495-500.

Detalhes

Início:
1 Novembro, 2023
Fim:
30 Novembro, 2023
Categoria de Evento: