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Destaque de Junho de 2026

«…se o senhor fosse um negro como eu, havia de estar assustado também».

(Lee, 1964: 301)

Harper Lee (1926-2016) nasceu há cem anos, exactamente seis anos após a 19ª emenda à Constituição dos Estados Unidos da América que declarava o direito das mulheres ao voto. Porque celebramos o centenário do seu nascimento? Pelo muito que a sua obra representa na luta contra o racismo, a par de Gordimer, de Stowe, de Peppetela, de tantos outros. Sulista, denunciou a segregação racial, esse crime hediondo que ainda lança feridas e tragédia nos E.U.A. O seu romance Não matem a Cotovia (1960), galardoado com o Prémio Pulitzer para ficção (1961) e considerado um dos grandes templos da literatura do século XX – rejeitado pela primeira editora (sulista), para onde a autora enviara o original -, é de leitura obrigatória. O romance está narrado na primeira pessoa e escrito sobre um inconsciente de certa forma autobiográfico – Tal como a protagonista do romance, Harper Lee, sulista, era filha de um advogado e chegou a estudar Direito, curso que abandonou, quando decidiu mudar-se para New York, tinha então 23 anos, deixando assim o sul: «Sendo gente do Sul, como éramos» (Lee, 1964:12).

Não será também por acaso que a narradora, Scout, é uma criança, e o irmão, Jem, um adolescente. Efectivamente, como qualquer boa autoria, este livro encerra um pensamento crítico fundamental, não apenas contra o racismo, mas também contra todas as formas de violência, nomeadamente a que é exercida contra as crianças. De destacar também, nesta ficção, a viagem pelo tempo da depressão económica nos EUA e pelo Holocausto, nos anos trinta. Há, por isso, um pensamento crítico condutor, que subscreve características tão essenciais do indivíduo, como a integridade – veja-se o caso do advogado Atticus Finch _, que defende, em tribunal, um cidadão negro, injustamente acusado – «o acusado não é culpado, mas há alguém neste tribunal que o é.» (Lee, 1964: 313), posteriormente acusado, preso e assassinado «com dezassete balas», pelos guardas da prisão. Mas não só. Há um implícito e muito feliz apelo à bondade e ao cumprimento integral dos direitos das crianças, bem como à igualdade de género.

Um livro de leitura obrigatória.

Direitos de autor do texto: ÂDA

Direitos de edição do texto: BPARPDL

 

Disponíveis para empréstimo domiciliário

LEE, HarperNão matem a cotovia: romance. Lisboa: Publicações Europa-América, (imp. 1964).
BPARPD EMP 82(73)-31 LEE/não
BPARPD EMP 82(73)-31 LEE/não ex.2

 

Disponível para leitura presencial

LEE, HarperNão matem a cotovia: romance. Lisboa: Publicações Europa-América, (imp. 1964).
BPARPD FG 8/666