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Destaque do mês – agosto

O escritor inglês William Golding (1911-1993), Prémio Nobel da Literatura em 1983, foi um dos marinheiros ingleses que combateram o temível navio de guerra nazi «Bismark» na operação contra os navios ingleses. Esta experiência terá influenciado sobremaneira o livro que hoje vos trazemos, O Deus das Moscas (1954) (EMP 82(410)-31 GOL/deu), uma alegoria perfeita da natureza humana e da sua permeabilidade lactente ao mal quando exposta a uma situação de sobrevivência. É exactamente o que acontece nesta ficção onde um acidente aéreo deixa um grupo de meninos numa ilha deserta. Certamente que, estando sós e libertos do mundo dos adultos, terão de organizar-se em grupo, compreender e saber lidar com as diferenças uns dos outros, saber ouvir para coordenar sem impor. Todavia, conforme sabemos, o lado sombrio da natureza humana revela-se quando tem determinado poder nas mãos, não o poder se ser-com-os-outros, mas o poder exterior de «mandar» à boa maneira dos sistemas autoritários: «Eu sou o chefe, interveio Ralph». (Golding, 1954/2005: 131). Eis o que aqui se passa: uma viagem ao laboratório da psique humana e da sua necessidade tantas vezes frustrada de ordenar e de reprimir. Ainda o medo perante o desconhecido, trazido na figura de um paraquedista morto que uma das personagens – Simon – encontra no cimo da montanha: 

«Simon viu uma coisa corcovada sentar-se subitamente no topo e pousar um olhar sobre ele. Escondeu o rosto e continuou. 

      As moscas também haviam descoberto aquela figura. O movimento, a aparentar vida, espantava-as por um momento, o que resultava numa nuvem negra em torno da cabeça.» (Golding, 1954, 2005: 128). 

      O abandono da inocência surge na forma bárbara como escolhem lutar pela sobrevivência na ilha que culmina com dois dos meninos atirados à morte: Simon e Piggy: 

«Simon estava morto …. Agora a ilha estava carbonizada como madeira morta…. Ralph chorou pelo fim da inocência, pelas trevas no coração do homem e pela queda no vazio do verdadeiro e sensato amigo a que chamavam Piggy.» (Golding, 1954/2005: 174-175) 

 

Direitos de autor: ÂDA/BPARPDL 

Disponível para empréstimo domiciliário 

GOLDING, WilliamO deus das moscas. Lisboa: Texto Editores, 2005. 

BPARPD EMP 82(410)-31 GOL/deu 

 

Disponível para leitura presencial 

GOLDING, WilliamO deus das moscas. Lisboa: Portugália Editora, 1961. 

BPARPD FG 8/3327