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Destaque do mês | fevereiro 2025

Maria Teresa Horta (1937-2025) é, neste mês, a autora em destaque. Para isso, e tendo em conta a sua vasta obra poética e não só, escolhemos dois livros, o primeiro volume da Poesia Completa (NC 7993 RES) e Novas Cartas Portuguesas (NC 2163 RES).

Desde sempre livre, combativa, feminista, foi um dos alvos da ditadura, tendo os seus livros sido censurados. A PIDE vigiava a casa da poetisa e chegou mesmo a espancá-la na rua. Tal não a demoveu. E o facto é que em 1972, pela mão de Natália Correia, então editora na Estúdios Cor, quando Portugal ainda tinha mais dois anos de ditadura para passar, foi publicado Novas Cartas Portuguesas, uma co-autoria de Maria Isabel Barreno, Maria Velho da Costa e Maria Teresa Horta. Naturalmente que a obra foi censurada pela PIDE. Neste livro, e através de variados géneros literários, recuperando a memória das Cartas Portuguesas da freira de Beja (EMP 82(469)-6 ALC/Car), Mariana Alcoforado (1669), são trazidas todas as questões silenciadas sobre as mulheres. Conforme escreveu Ana Luisa Amaral na introdução

«Não menos relevante para a concepção de Novas Cartas terá sido a escolha de Cartas Portuguesas como texto matricial justamente pelo peso simbólico de que se revestia a figura de Mariana e pela imagem feminina que delas emergia: o estereótipo da mulher abandonada, suplicante e submissa, alterando entre a adoração e o ódio, e praticando um discurso de paixão avassaladora por aquele (o cavaleiro) que se apaixonara também, mas partira depois, para não mais regressar. É esta relação de amor e devoção, de subserviência e autovitimização que as três autoras, três séculos depois, aproveitando-lhe os contornos mais gerais, vão desmontar e re-montar, estilhaçando fronteiras e limites, quer das temáticas, quer da própria linguagem.» (Amaral, 2010: XV)

 

Poetisa do amor, da liberdade, do feminino, aqui deixamos um poema dedicado à

«Mãe

mãe

terminou o tempo

de sorrir

desculpa-me a morte

das plantas

 

tatuei a tua antiga

imagem loura

em todos os pulsos

que anjos inclinam

de existires

 

perdi-me noite na planície

branca

sobrevivente das madrugadas

da memória

 

trocaram-me os dias

e as ruas de ancas

verticais

e nas minhas mãos incompletas

trouxe-te

um naufrágio de flores

cansadas

e o único jardim d´amor

que cultivei

de navios ancorados

ao espaço» (Horta, 1983:42-43)

      

 

 Disponíveis para empréstimo domiciliário

HORTA, Maria Teresa – Poesia completa. [Lisboa]: Litexa, 1983. 2 vol.

BPARPD EMP 82(469)-1 HOR/poe v.2

 

BARRENO, Maria Isabel; HORTA, Maria Teresa; COSTA, Maria Velho daNovas cartas portuguesas. 3ª ed. Lisboa: Moraes, 1980.

BPARPD EMP 82(469)-6 BAR/nov ex.1

 

ALCOFORADO, Mariana – Cartas portuguesas. 2ª ed. Lisboa: Assírio & Alvim, 1998.

BPARPD EMP 82(469)-6 ALC/car

Disponíveis para leitura presencial

HORTA, Maria Teresa – Poesia completa. [Lisboa]: Litexa, 1983. 2 vol.

BPARPD NC 7993 RES
BPARPD NC 7994 RES

 

BARRENO, Maria Isabel; HORTA, Maria Teresa; COSTA, Maria Velho daNovas cartas portuguesas. Lisboa: Estúdios Cor, 1972.

BPARPD NC 2163 RES

 

ALCOFORADO, Mariana – Cartas portuguesas. 2ª ed. Lisboa: Assírio & Alvim, 1998.

BPARPD MA 4271 RES